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"Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim." João 5.39 "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra." 2Tm 3.16,17

segunda-feira, 12 de junho de 2017

RESTAURAÇÃO: UM ATO SOBERANO DE DEUS EM NÓS



TEXTO


1 Quando o SENHOR restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha.
2 Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo; então, entre as nações se dizia: Grandes coisas o SENHOR tem feito por eles.
3 Com efeito, grandes coisas fez o SENHOR por nós; por isso, estamos alegres.
4 Restaura, SENHOR, a nossa sorte, como as torrentes no Neguebe.
5 Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão.
6 Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes.
SL 126.1-6


INTRODUÇÃO

P
ara compreender este salmo é preciso tentar conhecer a data de sua composição. Apesar de discordância, a maioria dos estudiosos acredita que o salmo é uma composição pós-exílica, ou seja, quando a nação judaica volta do cativeiro.
Judá havia passado por destruição e cativeiro pelos babilônios e medo-persas. Os que foram levados para Babilônica, Assur e Susã, viviam como escravos ou em situação semelhante. Com a derrota da Babilônica pelo Rei Persa (Ciro, o Grande), os judeus passaram a viver em condições melhores, pois a política do novo monarca era mais humanitária. Contudo ainda eram exilados. Os demais que não foram levados para o cativeiro, mas permaneceram em Jerusalém e demais cidades, viviam na miséria, sem segurança e com os ânimos abatidos. Além disso, Jerusalém estava com os muros caídos, os portões quebrados e o templo destruído. Era um verdadeiro caos!
Mas em tempo oportuno o Senhor cumpriu sua promessa, conforme revelada ao profeta Jeremias, em que o cativeiro duraria 70 anos. Após esse período Deus restauraria seu povo.
Cumprido o tempo, Jeová levanta líderes como  Zorobabel,  Esdras e Neemias, para uma grande obra de conduzir a restauração do Templo, dos muros, dos portões da cidade e reconduzir os judeus à sua terra.
O retorno não foi de uma só vez, mas em vários momentos. Muitos judeus, talvez por medo, insegurança, ou até mesmo por situação cômoda não quis vir de imediato à Judeia, permanecendo no território Persa. No entanto, esse tempo, para os que retornaram, foi de muitas glórias, júbilos, composições e provavelmente o Salmo 126 foi composto neste período.
Então este salmo reflete a alegria do salmista em mostrar como o Senhor restaurou a sorte de Sião, bem como seu clamor em restaurar os demais que permaneceram no cativeiro.
Portanto, uma bela história registrada nas Sagradas Escrituras, que nos inspira a confiar no Senhor. Assim, o Salmo 126 é uma composição belíssima da poesia hebraica antiga e podemos aprender muitas coisas com estes versos. Há muitas lições preciosas que podem ser aplicadas à nossa vida ao meditar neste hino sacro.

I – QUANDO O SENHOR NOS RESTAUROU (PASSADO) - V. 1-2.
Podemos observar que o salmista usa três tempos verbais para compor o salmo. Ele fala do passado (restaurou), ele fala do presente (restaura), ele fala do futuro (ceifarão). Com isso podemos observar que Deus é o Deus que fez, faz e fará restauração em nossa vida. Ele é o Deus sempre presente no meio de seu povo e nunca abandona seus eleitos. Isso não significa que não venhamos de alguma forma sofrer alguma correção do Senhor quando necessário, contudo ele nos restaura através de sua graça maravilhosa. Foi isso que aconteceu com Judá, pois eles pecaram contra o Senhor e o Senhor os havia castigados com o exílio, mas no tempo de sua vontade, restabeleceu o seu povo no lugar por ele designado. Com isso o povo aprendeu que deve confiar somente no Senhor e obedecer a seus mandamentos.
Podemos entender isso também com relação ao homem e Deus. O primeiro homem havia caído no pecado e todos os seus descendentes herdou seu pecado, na qual conhecemos o termo teológico “Depravação Total”. Mas no tempo certo o Senhor restaurou o homem, reconciliando-o com sua graça, através da morte de Cristo, constituindo um novo povo, a Igreja.
Portanto, Deus sempre cuida de seu povo eleito, nunca desampara, mas sempre restaura conforme sua vontade e misericórdia. E quando essa restauração é evidente em nossa vida, ou na vida do povo de Deus, podemos observar três acontecimentos:

1. Ficamos como quem sonha (v. 1a)
É tão maravilhoso o que Deus realiza em nossa vida que parece algo utópico, algo inalcançável, um sonho. É um ato tão grandioso que ficamos perplexos em observar as maravilhas de Deus em nossa vida. E não é à toa que sentimo-nos assim, é somente observar o que Deus fez na vida de Judá, tirou do cativeiro e os levou para sua terra. Restaurou a sorte deles. Ainda mais perplexidade há quando refletimos no que o Senhor fez por nós, nos amando quando ainda éramos pecadores, e nos deus seu único Filho, Jesus Cristo, para morrer por nós, e nos livrou da condenação eterna. Isso parece um sonho! Nos deixa atônitos! Perplexos!

2. Nossa boca e nossa língua encheram de riso e júbilo (v. 2a)
O sorriso é uma reação de nosso corpo que manifesta diversas reações do comportamento humano (voluntária e involuntária), como:
·        No campo psicológico-afetivo, pode ser provocado por um sentimento íntimo de alegria, de felicidade, de satisfação ou prazer. É uma reação involuntária;
·        No campo linguístico, pode ser provocado por uma piada ou outro recurso humorístico. É uma reação involuntária;
·        No campo sócio-cultural, pode ser uma ação voluntária do indivíduo, com o objetivo de expressar algum sentimento ou opinião dentro de um determinado grupo;
·        No campo fisiológico, é uma reação involuntária. Pode ser provocado por uma ação mecânica (cócegas, por exemplo), por processos biológicos (feridas em fase final de cicatrização, por exemplo), ou ainda pelo consumo de alguma droga.
·        O júbilo é uma sensação de excesso de alegria.
O sorriso que brotou na face destes judeus restaurados era involuntário. A causa foi uma alegria intensa, havia esperança, havia confiança, havia novas possibilidades, os ânimos estavam restabelecidos e podia bradar de jubilosa sensação.
Quão maravilhoso é o agir de Deus na nossa vida. A restauração operada por Deus em nossa vida é tão maravilhosa que faz brotar um sorriso em nossa face carregado de jubiloso contentamento. Devemos nos alegrar com o que o Senhor tem nos feito, afinal ele nos livrou das garras do pecado e nos deu vida eterna.

3. Todos dizem o que Deus fez por nós (v. 2b)
A restauração que Deus realiza em nós produz forte testemunho. As pessoas à nossa volta perceberão que alguma coisa radical aconteceu em nossa vida. Quando nos convertemos ao Senhor e sofremos uma metamorfose em nosso caráter ou quando estamos passando por uma prova e clamamos a Deus e ele nos ouve e atende nossa oração, nos concedendo o que pedimos e nos livrando dos pesares que nos causa transtornos, nosso coração se encherá de alegria e júbilo, e isso será notório às pessoas que nos rodeia. Nossos familiares, vizinhos, amigos e outras pessoas verá o que Deus fez em nossas vidas e dirão: “Grandes coisas tem feito o Senhor por eles”.

4. Grandes coisas fez o Senhor e estamos alegres (v. 3).
Por fim podemos dizer com muita satisfação “grandes coisas fez o Senhor por nós, por isso estamos alegres”. Expressar a satisfação é muito bom. Dizer o quanto estamos felizes pelo que Deus fez por nós é algo maravilhoso. Quando somos alcançados por Deus, em sua misericórdia, temos o desejo de festejar, cantar, dizer para todas as pessoas o quanto estamos felizes por tudo o que o Senhor tem feito por nós.

II – O SENHOR É QUEM RESTAURA – PRESENTE (V.4)
É importante sempre relembrar o que Deus fez por nós. Trazer à memória a restauração realizada em nossa vida pela ação graciosa de Deus é prazeroso. Os judeus sempre fazem isso nas Escrituras Sagradas, vemos nos profetas, nos salmos e é uma ordem de Deus que os pais falassem para seus filhos tudo o que o Senhor fez, tirando da terra do Egito, conduzindo o povo pelo deserto, conquistando Canaã. Isso nós devemos fazer também, relembrar nossa conversão, momentos de intimidade com Deus, leituras da palavra e seus efeitos em nossas vidas, as bênçãos de Deus e outras coisas grandiosas experimentadas por nós. Temos uma história com Deus.
Contudo, os momentos bons que experimentamos no passado não garante que viveremos assim no presente ou no futuro.
Os judeus sempre tiveram momentos de muitas maravilhas de Deus em suas vidas, mas isso não garantiu a eles que suas vidas seriam assim para sempre. Pois as Escrituras nos mostram que mesmo os Israelitas presenciando muitos milagres de Deus, sempre voltavam à idolatria e tempos de esfriamento espiritual.
Não é diferente conosco. As orações que fizemos quando nos convertemos ao Senhor, ou os momentos de avivamentos que tivemos não são acumulados para posteriores momentos de nossas vidas. Devemos manter nossas vidas constantes na comunhão com Deus. Deus não é um banco que depositamos oração e jejuns e depois resgatamos com juros. Para ter uma vida com Deus é preciso viver 24 horas com o Senhor, e isso por toda vida.
E é exatamente isso que o salmista nos faz refletir ao pedir ao Senhor que restaure nossa sorte.

1. Restaura Senhor nossa sorte (v. 4a)
Quando entramos em momentos de esfriamento devemos pedir ao Senhor pela restauração. Não podemos produzir avivamento, nem podemos produzir o poder de Deus, pois é algo exclusivamente do Senhor, e somente ele é quem pode realizar tais prodígios.
Ao perceber que estamos negligentes com as coisas do Senhor, que nossas vidas estão distantes de Deus, ou que nossa igreja está se acomodando aos rudimentos deste século, devemos clamar ao Senhor pela restauração. Apesar de estarmos frequentando aos cultos, orando, participando da comunhão ou exercendo qualquer atividade cristã, não significa que estamos em estreita ligação com Deus. O exercício do ministério não garante comunhão com Deus, basta olharmos o sacerdote Eli e seus filhos. Precisamos clamar a Deus por uma restauração em nossas vidas. Precisamos que Deus opere um avivamento em nossas vidas e em nossas igrejas, mas para isso precisamos clamar: “Senhor restaura nossa sorte”.
Muitas igrejas que foram berços de grandes avivamentos estão fechadas. Muitas igrejas que foram agências de missões mundiais estão fechadas em páginas de livros de histórias.
Que venhamos a clamar por um derramamento do Espírito sobre nossas vidas de tal forma que nossas atitudes venham a ser mudadas, que nossos desejos sejam para o Senhor e que toda nossa energia seja gasta Nele, para Ele e por Ele. Senhor restaura nossa sorte!.

2. Como as Torrentes do Neguebe (v. 4b)
Nesse clamor o salmista usa uma ilustração “as Torrentes do Neguebe”. O Neguebe é o maior deserto da Judéia, um deserto assolador, que passa a maior parte do ano sem chover, 11 meses. Mas no período das chuvas as correntes de águas que vem das montanhas cortam a areia escaldante deste deserto, trazendo refrigério. Assim acontece com nossas vidas. Há momentos que estamos vivendo um “Neguebe” e precisamos dessa chuva de avivamento em nossa vida.

III – O SENHOR NOS RESTAURARÁ - FUTURO (V. 5, 6)
“5 Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão.
6 Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes.”

Apesar de a restauração ser um ato soberano de Deus, não exclui a responsabilidade humana da oração e do clamor por tal.
A igreja deve clamar a Deus por uma restauração. Deve semear, muitas vezes com labor, fadiga, lágrimas, chorando, até que os frutos comecem a surgir.
Ilustração: O ato de semear é interessante e exige atividades. Lembro-me de quando era ainda criança, quando ia plantar milho na roça com meu pai. Na época as covas eram abertas com enxadas e não com máquinas e a semente era jogada com as mãos e as covas eram tampadas com os pés. Era um serviço cansativo. Meu pai ia à frente abrindo as covas, por ser a parte mais pesada do serviço, e eu ia atrás com os grãos de milhos jogando-os nas covas e tampando com os pés, calçados de havaianas. Isso era terrível para uma criança (mas tenho saudades desses tempos). Havia momentos que dava vontade de chorar. No entanto, alguns meses depois, estávamos comendo milho assado ou cozido, pamonha e nosso paiol estava cheio de espigas de milho.
Isso é semear: andar, chorando e com lágrimas, para que se possam obter frutos.
No reino de Deus não é diferente. Ao evangelizar, ao orar por avivamento, por restauração, ao abrir novas igrejas devem ser atitudes carregadas de labor, choros e lágrimas. Mas por fim os frutos aparecerão e com os frutos uma alegria intensa.
E a colheita não será pequena, mas grande, pois é o Senhor quem garante: “... trazendo os seus feixes.”

CONCLUSÃO
Aprendemos que o ato de restauração é um ato soberano de Deus que fez, faz e fará em nossas vidas conforme sua vontade. Aprendemos que devemos relembrar as maravilhas que Deus fez em nossas vidas, mas que isso não é suficiente, pelo contrário devemos manter nossa comunhão com Deus sempre, clamando pela restauração ainda hoje. E vimos que a restauração também é futura, pois, Deus sempre está com seu povo. Assim devemos semear com lágrimas, choro e andando, para que os frutos, no seu tempo, apareçam.

APLICAÇÃO
É preciso refletir nossas vidas. Será que estamos apenas vivendo do passado glorioso de nossa conversão ou de experiências maravilhosas com Deus? Será que não estamos precisando hoje de uma restauração espiritual? De um avivamento? Que nós possamos clamar a Deus por uma restauração. Que venhamos tomar a decisão em nossas vidas de nos sacrificar no trabalho da semeadora, ainda que venha a ser dolorosa. Senhor restaura a nossa sorte!

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